Há quase 20 anos chegou a Portugal, pelas mãos do então instrutor em treino José Reyes, o Taekwondo Songahm. Este estilo relativamente recente deste desporto milenar, dava os seus primeiros passos na Europa e começa agora a ganhar cada vez mais praticantes em Portugal.
Foi em Setembro de 1991 que o então instrutor em formação José Pedro Reyes chegava a Portugal, vindo do Brasil, com o sonho de difundir o Taekwondo Songahm pela Europa, começando pelo nosso país. José Reyes começou a praticar Taekwondo Songahm em 1989, depois de ter experimentado outras artes marciais, e ficou fascinado pelo facto de se tratar de um desporto de desenvolvimento completo.
Esta arte marcial baseia o seu ensino num conjunto de princípios e valores essenciais para a formação do ser humano, tais como a cortesia e o respeito e fornece as bases para o crescimento do aluno, não só fisicamente, mas também mentalmente. Um exemplo é o caso de Inês Loura, uma das praticantes deste estilo, para quem o Taekwondo Songahm “vai para além de um simples desporto e chega a ser uma necessidade espiritual”, que a ajuda a controlar-se, a “respeitar os outros” e a “sentir-se melhor” consigo mesma.
O criador deste estilo foi Haeng Ung Lee que, depois de vários anos a praticar e a ensinar na Coreia do Sul, se desloca para os Estados Unidos e começa a desenvolver o seu próprio estilo, com a ajuda dos seus melhores instrutores.
O estilo Songahm surge oficialmente em 1969, quando H. U. Lee cria a American Taekwondo Association (ATA) e o começa a ensinar. O Taekwondo Songahm torna-se em mais uma, das diversas variantes desta arte marcial milenar, originária da Coreia.
Uma das componentes que procurou refazer foram as fórmulas (ou Poomsaes, em Coreano) correspondentes de cada cinto que considerava desadequadas, por não incluírem muito do conhecimento do próprio cinto, e pouco representativas da filosofia do Taekwondo. Assim, as novas fórmulas incluem chutos – a imagem de marca do Taekwondo – logo desde o início, e vão evoluindo em dificuldade e complexidade acompanhando a progressão do aluno, num crescimento saudável e equilibrado. Pela sua visão e pelo seu papel no crescimento da ATA, Haeng Ung Lee seria mais tarde nomeado Grão-Mestre do estilo Songahm.
Com o crescimento do estilo Songahm e a sua difusão pelo Mundo, foi necessária a criação de outras duas organizações: a STF (que tutela o desporto na América do Sul) e a WTTU (que tutela o desporto no resto do Mundo). Em conjunto com a ATA, estas organizações regulam o Taekwondo Songahm, praticado por mais de 300.000 pessoas em todo o mundo.
Em Portugal, os números não tão expressivos como em outras artes marciais. Existem apenas entre 400 e 500 praticantes, apesar do crescimento exponencial que se tem registado nos últimos anos. Para esse crescimento contribuiu e continua a contribuir o aumento do número de eventos, a crescente organização e uma aproximação à casa central, nos Estados Unidos.
Pedro Tânger, responsável pela Instrução a nível europeu, vê “com grande regozijo” a evolução que se tem registado nos últimos anos no panorama nacional. Considera que foi “preciso muita humildade dos instrutores que estão a liderar o Taekwondo em Portugal para admitirem que estávamos longe de saber tudo” e abraçarem os ensinamentos vindos dos Estados Unidos. “Foi uma mostra de humildade brutal todos estarem dispostos a começar tudo de novo basicamente”.
Desde então assistiu-se a uma mudança de processos e um aumento do profissionalismo que tem também vindo a contribuir para o crescimento do número de praticantes.
A ligação entre a casa central e o Taekwondo Songahm Português reforçou-se em 2007, quando um grupo de portugueses se deslocou à Suécia para o primeiro “Songahm European Meeting”. Segundo Pedro Tânger foi nesse momento que se estabeleceu a ligação com os EUA.“Tivemos o contacto directo com a casa central, com o Mestre Abair [um dos mais conceituados da ATA]. Aí foi quando, de repente, nos ligámos à fonte”.
Desde então realizaram-se mais dois meetings europeus (Portugal, 2008 e Escócia, 2009) e prepara-se outro para o próximo ano, novamente em Portugal. Estabeleceu-se também o campeonato nacional de Taekwondo Songahm, com competição nas categorias de Poomsae (Formulas), Sparring (Combate) e Armas.
Além disso, este ano dá-se a estreia do novo circuito europeu. Um circuito “caricato” segundo Pedro Tânger, por contar ainda com poucos países participantes e por se realizar sempre em Portugal. Considera no entanto que num futuro próximo a situação será diferente: “Daqui a 3 anos vai estar noutra dimensão. E não tenho dúvidas que daqui a 5 anos temos um circuito instalado”.
Outro dos aspectos de enaltecer na evolução do estilo em solo nacional, é a abertura da primeira Academia, uma escola inteiramente dedicada ao Taekwondo Songahm, com aulas de manhã à noite. Pedro Tânger é o mentor deste projecto que considera “um sonho” e que, acredita, trará muitas vantagens: “A criação da academia logo por si gera uma inovação a nível de qualidade inacreditável. Os alunos só pelo facto de saberem que há uma academia destinada, quando vêem cá treinam a outro nível”.
Aumenta-se também o número de treinos com alguns atletas a poderem “treinar três vezes por dia”. Tânger reforça ainda que haverá um aumento do número de alunos e que assim “eles [os alunos] têm muito mais exemplos para se comparar”. Os resultados avaliza, serão visíveis a curto prazo, uma vez que “o nível vai disparar daqui a dois anos”.
A academia era um projecto que se afigurava difícil por questões monetárias, uma vez que não existem qualquer tipo de apoios do Estado ou patrocínios para praticantes e escolas deste desporto.
No entanto, a experiência do instrutor Tânger diz-lhe que “é perfeitamente possível”. A solução passa por “ter uma academia e vários satélites e temos que dar aulas nas escolas, nos colégios primários”, que garantem um desenvolvimento mais sustentável e um rendimento fixo no final do mês.
Esta evolução recente tem dado a Portugal uma grande visibilidade no panorama internacional, com a qualidade dos atletas portugueses a sobressair nos eventos internacionais, especialmente nos eventos europeus onde consegue sempre os primeiros lugares. Além disso é de destacar o crescente número de praticantes estrangeiros interessados em conhecer e praticar com atletas e instrutores portugueses.
Com todos estes indicadores, o futuro do Taekwondo Songahm em Portugal afigura-se risonho. Aguardamos desenvolvimentos sobre este desporto que começa a atrair cada vez mais portugueses.
Autor: Vasco Cotovio, in PerfilDesportivo.com